A. S.

Sou um alcoólatra em recuperação e meus primeiros goles foram quando tinha mais ou menos 12 anos. Quando completei 50 anos, eu estava internado em uma comunidade terapêutica.
Com 18 anos me formei eletrotécnico e passei a residir em Florianópolis para trabalhar num ótimo emprego. Com meu próprio dinheiro, morando sozinho, meu alcoolismo se desenvolveu.
Com 25 anos tive a primeira luz de que algo não estava bem. Já era casado, com três filhos, bebendo diariamente. O “bebedor problema” começou a se manifestar. As alterações de humor, brigas em casa e dificuldades para trabalhar começaram a ser mais frequentes.
Desde então minha vida foi em função do álcool, como se fosse uma companheira, uma paixão doentia. Em 1991 pedi demissão. Pensava que trabalhando por conta própria seria melhor. Segunda escolha errada. Em 1993 saí de casa por me sentir culpado de estar atrapalhando a família. Terceira escolha errada. Em 1995, aos 35 anos, conheci os Alcoólicos Anônimos, frequentei por três meses e não fui mais.
A partir de 2000 começaram as internações. Em outubro de 2008 internei-me no CERENE de Palhoça. É minha 7ª internação e espero que seja a última. Aqui no CERENE finalmente encontrei o que e quem andei procurando durante a minha vida. O significado de Deus para minha vida.
Depois de ter bebido durante 32 anos e adquirido uma bagagem sobre recuperação e sobriedade finalmente entendi que a nossa vida é feita de escolhas, que a culpa não é dos outros, que beber compulsivamente é uma doença de caráter espiritual, emocional, físico e social, enfim que estava escrevendo a história da minha vida com a mão errada. Uma vida solitária, egoísta, sem vínculos afetivos, emocionalmente desequilibrada. Eu estava me matando lentamente. Uma vida em preto e branco.
Hoje consigo ver um sentido para vida e ter um objetivo para ela. Claro que aprender a escrever uma outra vida não é fácil. O importante é que agora eu sei o que e como eu tenho que fazer. É perseverar no certo, não no errado, é praticar todos os dias.
Internar-me no CERENE foi o melhor presente de aniversário. “Ganhei a vida”. E o que eu quero da vida...? Quero uma vida colorida!

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